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| Frota de Paz nos Mares em Guerra | |

Frota de Paz nos Mares em Guerra 18 de Maio-15 de Outubro de 2009
Imaginar uma exposição, construí-la e partilhá-la com o público significa sempre contar uma história. Quando esta aventura criativa decorre num Museu Marítimo, a história que se conta promete desvendar a vivência lendária dos homens do mar, umas vezes sob a forma de uma memória épica, outras através da evocação de tragédias que marcaram o imaginário colectivo. Todos os homens que foram ao bacalhau, e todas as mulheres que lhes viveram as viagens, recordam o drama épico da navegação e da pesca em plena Segunda Guerra Mundial. A grande pesca no perigosíssimo Atlântico Noroeste, precisamente sobre a rota da guerra submarina e no mesmo mar por onde passavam os comboios de reabastecimento das forças Aliadas. Por fortuna e engenho de quantos viveram a tormenta de pescar bacalhau nos mares em guerra, apenas dois navios bacalhoeiros portugueses foram torpedeados por submarinos – o Maria da Glória e o Delães. Se a “faina maior” comporta uma dimensão de história trágico-marítima, é nas peripécias do torpedeamento do lugre Maria da Glória, em 1942, que ela melhor se exprime. Trata-se de um acontecimento “total”, que tudo condensa e tudo questiona sobre esta infindável narrativa. O ponto central da exposição do ano de 2009 no Museu Marítimo de Ílhavo reside, precisamente, na memória desse acontecimento maior e de outros que com ele se ligam: a ambígua neutralidade portuguesa imposta por Salazar; a insólita decisão política de manter a frota bacalhoeira em actividade, obrigando as tripulações a trabalhos e tormentas impensáveis; o quebra-cabeças da navegação em comboios; a celebração da frota branca como “frota de paz nos mares em guerra”. Uma investigação inédita de documentos “confidenciais” e uma recolha de depoimentos vividos, permitirá ao Museu compor pequenos filmes de forte sentido didáctico e um programa de serviço educativo singular. Serão esses os principais elementos desta extraordinária história, nunca antes contada em qualquer museu.
Álvaro Garrido Director do Museu Marítimo de Ílhavo
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